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Quais são as Uvas, Como são Produzidos e os Sabores dos Vinhos da Toscana?

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PosiçãoVinho da ToscanaPreçoOnde Comprar
1Poderi dal Nespoli NespolR$49,90Ver
2Le Terre di Monna LisaR$50,00Ver
3Valdipiatta Rosso di MontepulcianoR$148,00Ver

Podemos dizer que a Itália poderia ser chamada de paraíso na terra. Além de ser uma região com belíssimos pontos turísticos, o país ainda tem uma excelente culinária, sem esquecer, é claro, dos maravilhosos vinhos que são produzidos neste local.

Aqui vamos falar das bebidas que são fabricadas na área da Toscana, como são feitas, quais são os tipos de uvas mais usadas, como o solo, clima e temperatura interfere no produto final e muitas outras curiosidades.

Qual é a principal uva da Toscana?

Neste belíssimo local, a uva mais difundida na região é a Sangiovese.

O que pode ser considerado até algo inusitado, já que essa cepa era denominada como uma fruta rústica e áspera, o que faz sentido, pois ela possui um nível alto de acidez, sem contar os taninos que são super presentes e correm o risco de estragar a bebida se a uva for colhida muito cedo.

Mas existe um motivo muito importante para que essa casta seja tão famosa na Toscana: ela tem a habilidade de harmonizar muito bem com a culinária local, ou seja, pratos que levam tomate na sua construção.

Como é o Terroir desta região?

Também conhecida como sangui jovis – em latim, sangue de Júpiter -, entre os mais de 700 mil hectares de vinhas, a Sangiovese totaliza cerca de 70 mil hectares na Toscana.

A região detém grande parte em solo pedregoso, com bastante galestro, que é um tipo de argila, além de alberese, pedra de origem calcária. Ambas características dão ao vinho um toque especial de mineralidade. Mas isso vai depender da região onde a uva foi cultivada, claro.

Por exemplo, os Chiantis, vinho feito com uva Sangiovese, costumam ser mais leves, assim como o Rossos di Montepulciano.

Já para uma extração mais clássica do Chianti, o vinho será mais complexo, enquanto os brunellos serão mais encorpados e ricos.

Outro ponto do terroir que vai interferir no aroma e sabor da uva é o clima da região. Em anos mais quentes é comum que a uva produza vinhos mais alcoólicos e potentes. Agora, quando o inverso acontece, ou seja, com um ano mais frio, então as bebidas serão mais ácidas e com bastante taninos.

Mesmo tendo que levar em consideração o terroir, de forma geral, a Sangiovese é uma uva com muito vigor, com maturação tardia e suscetível a chamada podridão cinza – botrytis -, muito comum na região e que costuma acontecer no período de chuva, que ocorre bem próximo a época de colheita da fruta.

Existe um órgão regulador para os produtores da Toscana?

Sim! Chamado de conzorcio, o órgão foi criado com o intuito de regulamentar a produção considerada “clássica” do Chianti. Isso foi feito para que estes se diferenciem de outras versões dessa bebida, garantindo a qualidade da extração original, digamos assim.

Perante as normas do conzorcio, as vinhas da Sangiovese devem ser plantadas entre 450 a 600 metros acima do mar, com o produtor tendo que cultivar, ao menos, 80% dessa cepa. Os outros 20% podem ser de outras espécies tintas, inclusive castas internacionais.

Apesar de ter o intuito de preservar a produção clássica de Chianti, o órgão não é muito adorado pelos produtores locais por conta das regras rígidas criadas pelo consórcio. Por exemplo, o órgão já obrigou as vinícolas a colocarem pelo menos 10% de uvas brancas – Malvasia e Trebbiano – nos Chiantis.

Por conta dessas regras muito duras, os produtores criaram os chamados supertoscanos, que nada mais são que vinhos produzidos na região, mas sem seguir as exigências do DOC, sigla que garante qualidade e controle na produção da bebida.

Os rótulos que são produzidos fora dessas diretrizes são blends, ou seja, além da Sangiovese, ainda contam com uma porcentagem de Cabernet Sauvignon ou Merlot.

Além dessa adição de outras castas, é comum que os Chiantis IGT – como são chamadas as bebidas que não seguem as regras do DOC – passem por envelhecimento em barricas velhas e novas de carvalho francês.

Esse tipo de vinho surgiu no final dos anos 60 e acabou ganhando fama nas décadas seguintes.

Origem

Acredita-se que os vinhos feitos com essa casta surgiu no século 15, onde a bebida é citada pela primeira vez – que se tem conhecimento – por Giovan Vettorio Soderini, em 1600. Aliás, foi ele quem deu o nome de sangue de Júpiter ao vinho.

Apesar de descoberta há muitos anos, a casta só ficou famosa após Bettino Ricasoli criar uma nova receita para os Chiantis feita com essa fruta. Em 1872 ele ainda escreveu uma carta para a Universidade de Pisa dando as coordenadas de como a fruta deveria ser usada.

No documento ele conta que a essa uva deveria ser a base para os vinhos Chiantis. Ao adicionar uma uva do tipo canaiolo, a bebida tornava-se mais macia. Já ao acrescentar uma fruta branca como a malvasia, o líquido fica mais diluído. Além disso, esta não deveria ser usada em vinhos de guarda.

Qual é a principal e mais famosa vinícola da região?

Existem várias vinícolas na região da Toscana que são referência na produção de uvas Sangiovese, mas a Marchesi Antinori com certeza é a mais importante delas.

Só para se ter ideia, atualmente a empresa é comandada pela 26° geração da família, que está no ramo de vinhos desde 1385 – sendo que a extração dessa uva surgiu “apenas ” em 1600.

A era moderna da vinícola começa em 1966, quando a empresa é assumida por Piero Antinori, que decide expandir os negócios da família. Desde então, a vinícola conta com vinhedos em diversas regiões, como Franciacorta (uma área de produção de espumantes), Orvieto (vinhas brancas), Prunotto (barolos) e em Tomareca, na Puglia.

Isso apenas na Itália. Em outros países, a companhia conta com vinícolas no Chile, Hungria e nos Estados Unidos, em Washington e Napa Valley.

E a história da família não está ligada apenas à expansão física do negócio. Piero Antinori junto com o enólogo Giacomo Tachis são os responsáveis por colocar em alta o vinho Tignanello, que é um blend de uvas Sangiovese com Cabernet Sauvignon e Franc.

Com isso, além de darem um pontapé importantíssimo para o nome da família, eles provaram que era possível uma uva francesa ser sucesso na Itália, tudo sem abrir mão da extração clássica do Chianti.

Quais são as características dos vinhos toscanos?

Como dito anteriormente, as características dos vinhos feitos com Sangiovese vão variar bastante de acordo com o Terroir, mas de forma geral é uma bebida com bastante acidez, com sabor de cereja e orégano.

No quesito taninos, estes ficam mais finos e presentes quando a uva é colhida no tempo certo.

Para aqueles rótulos que tiveram um cuidado ainda maior na sua produção, além de contar com a adição de variedades francesas, podem ter um sabor de baunilha, café e um toque balsâmico.

Como acertar na harmonização dos vinhos toscanos?

A principal característica de um vinho toscano é a sua acidez. É a partir deste ponto que você vai começar a pensar na harmonização.

Também já falamos que esse rótulo combina muito bem com basicamente qualquer comida da gastronomia italiana, por esta ter como principal ingrediente o tomate.

Um Chianti mais “comum” vai bem com receitas simples, como um assado de vegetais e legumes do Mediterrâneo.

Para massas com molho de tomate prefira rótulos melhores trabalhados, como o Chianti Clássico ou o Rosso di Montepulciano.

O Chianti Clássico também vai bem com carne assada com molho de tomate, assim como um brunello.

Conheça 3 vinhos da Toscana com ótimo custo benefício

Falamos tantas coisas da uva Sangiovese, nada mais justo do que indicar alguns rótulos com essa casta para você fazer uma bela harmonizada em casa.

1. Poderi dal Nespoli Nespolino

A primeira garrafa da lista é este Poderi dal Nespoli Nespolino, da vinícola Poderi dal Nespoli, que fica na região de Romagna, na Itália.

Trata-se, na verdade, de um blend. O vinho leva cerca de 70% de uvas Sangiovese e 30% de Merlot.

É um vinho tinto simples, com um corpo leve e notas frutadas. Perfeito para quem prefere uma bebida mais doce.

Ele possui um ótimo custo x benefício e você encontra ele para comprar a partir de R$49,90.

2. Le Terre di Monna Lisa

Uma outra opção é esse chianti da Fattoria la Ripa, que fica na Fronteira entre Siena e Florença. É mais um blend, com 80% de Sangiovese, 10% de Merlot e 10% de Canaiolo.

É um vinho macio, frutado e que deixa um gosto de madeira no retrogosto.

Ah, uma curiosidade é que a vinícola que fabrica esse rótulo pertenceu ao pai de uma famosa personagem do pintor Leonardo da Vinci.

O rótulo também atende um ótimo custo benefício, com preços a partir de R$50,00.

3. Valdipiatta Rosso di Montepulciano

Por fim, temos esse tinto, que é a porta de entrada para vinhos do tipo Nobile di Montepulciano.

Ao invés de levar Sangiovese, esse rótulo conta com 80% de prugnolo gentile, que nada mais é que um clone da casta citada acima, junto com 15% de canaiolo e mais 5% de mammolo.

É um vinho que se destaca por ter um corpo leve, taninos macios e notas frutadas.

É o mais caro entre as nossas opções, com valores a partir de R$148,00.

Bom, se nunca experimentou um vinho da Toscana, eis a sua oportunidade de abrir um rótulo para acompanhar aquela macarronada de domingo.

Referências:

http://www.assovini.it/italia/toscana/item/94-i-vini-della-regione-toscana

https://www.touringclub.it/news/quali-sono-i-migliori-vini-della-toscana

https://www.tannico.it/italia/toscana.html

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