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Você Conhece os Vinhos de Rhône? Veja Todos os Detalhes!

Uma rápida pesquisa sobre o mundo dos vinhos e você vai se deparar com nomes carimbados neste nicho, como é o caso de países/regiões famosas pela confecção dessa bebida.

Um claro exemplo disso é Rhonê, que está ganhando fama, e é justamente sobre essa área da França que vamos falar no texto abaixo.

Onde fica o vale de Rhône?

Apesar de não ser tão famosinha quanto Bordeaux e Borgonha, Rhône é uma região na França que produz vinhos tão bons quanto os dois citados anteriormente.

O vale fica localizado ao sudeste do país. Aliás, ali se encontra a segunda maior vitivinícola da França, com cerca de 70 mil hectares de uvas. Perdendo, apenas, é claro, para Bordeaux.

E não é só no tamanho que Côtes du Rhône, como a região também é chamada, que o local é conhecido. Foi lá que se deu a criação de diversos vinhos de altíssima qualidade e igualmente históricos, que marcaram o mundo dessa bebida em escala mundial.

Porque a região vitivinícola é dividida em Norte e Sul?

Este vale é dividido em duas regiões: norte e sul. Essa divisão traz muitas dúvidas a quem começa conhecer/pesquisar sobre a área. Isso ocorre porque mesmo sendo no mesmo lugar, ambos os lados têm características diferentes e únicas.

A parte norte possui um tamanho de cerca de 3.240 mil hectares. A maioria dos vinhos dessa área são denominados como “cru”. E apenas 5% da produção total de Rhône sai de lá.

Ao norte, o clima é mais continental, com temperaturas mais baixas do que o lado Sul. Os produtores nortenhos têm que lidar constantemente com um vento muito frio que atinge a área, chamado de mistral.

É um vento muito forte e que ganha mais força conforme vai descendo para o vale e pode causar danos nas videiras. É por isso que estas são suportadas por, pelo menos, três estacas, que são chamadas de échalas.

Outra diferença gritante é o solo. Ao norte, ele é composto principalmente de xisto e mica, com um subsolo de granito. Por conta da região ter encostas bem inclinadas, o que obrigada os produtores a plantar nestes locais, essa inclinação dificulta e muito o cultivo e, consequentemente, a colheita das uvas.

Com os profissionais tendo que trabalhar dessa maneira, eles acabam fazendo boa parte do processo de maneira manual, e por conta disso, os vinhos da região são mais caros, pois os gastos são mais altos.

Esse clima acaba sendo propício para as uvas do tipo Syrah, que são basicamente as únicas cultivadas ao norte. Isso para os tintos, para os brancos são plantadas a Roussanne, Viognier e Marsanne.

Os vinhos tintos deste lado do rio costumam ser mais tânicos e secos. A sua cor é mais escura e os aromas lembram frutas pretas, violeta (flor) e pimenta negra.

Como a maioria são rótulos feitos para envelhecer, com o tempo eles ganham cheiro de couro e caça.

Esses tipos de características também são encontrada nos brancos, que não fogem a regra e são mais secos.

Já o lado Sul se estende de Montélimar até Nímes. Ao contrário do norte, aqui os terrenos são mais largos e planos. Isso possibilita que os vinhedos sejam espalhados para além do rio, cerca de 80 quilômetros.

Deste lado, o clima é mais mediterrâneo, ou seja, algo mais árido, sem chuvas e com verões bem quentes. Por conta disso, as uvas que já são automaticamente mais resistentes à seca se adaptam bem à área.

Outro ponto importante são as noites frias comuns por lá, que ajudam as uvas a preservarem sua acidez natural.

Apesar dos terrenos planos serem a maioria no lado sul, existem algumas partes com montanhas e picos, mas elas não são um problema para as plantações, pelo contrário. Quem cultiva nessa área acaba tendo uma vantagem, pois o ar que vem de cima beneficia os vinhedos que estão na base deste local.

Por lá, existem cinco tipos mais comuns de solos:

  • Argila;
  • Calcário;
  • Arenito vermelho;
  • Pedregoso, também chamado de galets;
  • Loess, um conjunto de rochas sedimentares.

Enquanto no norte as videiras precisam ser sustentadas por três estacas, no sul elas são plantadas sem qualquer sustentação. Um truque usado pelos produtores por lá é podar as videiras até bem próximas ao chão, fazendo com que elas sejam mais resistentes ao vento mistral.

Por outro lado, isso faz com que a colheita tenha que ser manual, pois essa altura não possibilita o uso de máquinas.

Outro ponto bem chamativo entre o norte e o sul é a quantidade de uvas que são plantadas em cada lado do rio. Enquanto o lado norte só pode produzir quatro tipos, contando as uvas tintas e brancas, o sul tem a possibilidade de trabalhar com 30 variedades de uvas.

As que mais se destacam para os tintos são:

  • Syrah;
  • Grenache Noir;
  • Carignan;
  • Cinsault;
  • Mourvèdre.

As brancas:

  • Clairette;
  • Grenache Blanc;
  • Marsannne;
  • Viognier;
  • Ugni Blanc;
  • Roussanne;
  • Rolle.

Os vinhos do lado Sul são mais encorpados, com diversas variedades na sua composição, mais alcoólicos e mais potentes também.

Como o vento causa influência nas produções das uvas?

Como comentamos, a região sofre com o vento mistral, mas o norte acaba sendo mais afetado por ele.

Por ter uma temperatura mais fria, esta área é muito prejudicada na época da brotação, ou seja, o produtor acaba tendo menos uvas por videira. Além disso, esse clima faz com que a fruta não tenha tempo o suficiente para chegar no nível ideal de maturação.

É por isso que as uvas que podem ser colhidas precocemente se saem melhor ao norte.

O que é GSM?

Hoje, ouve-se muito sobre os vinhos GSM em outros países, como a Austrália, Estados Unidos, Chile e Espanha, mas quem criou o termo e a técnica, foi Rhône.

A sigla quer dizer Grenache, Syrah e Mourvèdre, as principais uvas tintas da região.

Os produtores usam muito esse trio para criar blends, ou seja, usam mais de uma uva na bebida.

Essa técnica ganhou o mundo, pois temos várias regiões que possuem o mesmo clima que o sudeste francês, e também por se adaptarem melhor a diferentes temperaturas.

Além dos tintos, é comum que essa região francesa faça blends com uvas brancas.

É verdade que a uva Syrah “nasceu” no Rhône?

Sim! Na verdade, existem várias teorias sobre a origem dessa uva. Muitos acreditam que elas chegaram na região por meio dos cavaleiros das cruzadas que retornavam para casa do Oriente Médio.

Porém, acredita-se realmente que a origem está diretamente ligada com a região, mais precisamente ao norte do vale, na área do Rio Isére, que fica ao leste, até o lago de Genebra, entre Suíça e França.

Segundo um estudo, a Syrah nasceu de uma mistura natural entre Dureza, uma uva tinta, e Mondeuse Blanche, fruta branca. Ambas são bem comuns por lá.

Os Papas tinham preferência nesse vinho, por quê?

Isso mesmo, na época, João XXII (segundo dos setes papas de Avignon), tinha uma casa de verão na área, em Châteauneuf-du-Pape e, por conta disso, a igreja começou a produzir vinhos na região. Este era chamado de Vin Du Pape (vinho do papa), e era constantemente servido no palácio papal de Avignon.

Por conta disso, o vinho ganhou fama. Mas, na verdade, tudo começou pelo fato do rei francês ter convencido o até então arcebispo, Raymond Bertrand de Got a levar todo papado para Avignon.

Como são feitas as classificações dos vinhedos?

Apesar de não ter uma listagem de vinhedos Grand Cru em Rhône, os produtores usam uma classificação que vai desde o mais genérico até o mais “crus”.

Inicialmente, a classificação começa com os vinhos mais simples, chamados de Côtes du Rhône. Em seguida, tem o Villages que recebe o nome das respectivas vilas. Cerca de 21 delas têm o direito de usar o nome em seus rótulos.

Para os Crus, há 17, entre eles, Châteauneuf-du-Pape, Hermitage, Cornas, Saint-Josep, Condrieu, entre outros.

Essa região possui nomes famosos e consagrados como o Ermitage ou Hermitage

Assim como Bordeaux e Borgonha, este vale também tem produtores que são famosos em todo o mundo, responsáveis pela produção de vinhos de altíssima qualidade.

É o caso de:

  • Château de Beaucastel;
  • Guigal;
  • Vidal Fleury;
  • Chapoutier;
  • Jean Louis Chave;
  • Delas Freres;
  • Paul Jaboulet Aîné;
  • Jean-Luc-Colombo;
  • Ogier;
  • Château Rayas;
  • Alain Graillot;
  • Château Saint-Cosme;
  • Clos des Papes;
  • Domaine Jamet;
  • Moulin de la Gardette.

Por mais que as regiões mais famosas chamam naturalmente mais atenção, é preciso arriscar, provar algo novo.

E os vinhos produzidos neste vale são o exemplo típico que é sempre bom experimentar, buscar conhecer coisas/áreas diferentes.

Se você ficar detido no mesmo, perderá a oportunidade de conhecer rótulos excelentes.

Afinal, uma das vantagens do mundo dos vinhos é justamente a sua imensa variedade, e é basicamente nosso dever degustar tudo de bom o que temos ao nosso alcance.

Agora que tal experimentar um vinho desta famosa e escondida região?

Referências:

https://www.vinatis.com/cote-du-rhone-vins-rhone

https://www.larvf.com/,vins-rouges-blancs-roses-vignoble-vallee-du-rhone-cotes-du-rhone-chateauneuf-du-pape-cote-rotie,10355,4025945.asp

https://www.hachette-vins.com/tout-sur-le-vin/regions-vins/112/vallee-du-rhone/

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