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Vinho Verde: O que é?

Para quem já está um pouco a par do universo do vinho, sabe que algumas regiões são conhecidas na produção de determinados rótulos, seja ela uma bebida muito específica ou de altíssima qualidade.

Entre essas localidades, sem dúvida nenhuma, a que não podemos nos esquecer é de Portugal, o produtor do chamado vinho verde. E tem uma coisa bem legal relacionada a essa bebida, apesar do nome, este não foi dado por conta da sua coloração ou do tipo de uva usada na fabricação.

Ficou curioso, não conhecia ou quer saber um pouco mais sobre essa bebida?

Vamos te explicar tudo ao longo do texto.

Qual é a origem?

O começo da fabricação do vinho verde se iniciou há mais de 2 mil anos atrás, na região do Minho. O local é muito conhecido por ser uma área de cultivo de uvas, principalmente a parte sul, da onde vinham as bebidas de melhor qualidade e com características únicas.

Por conta disso, os vinhos que eram produzidos por lá se tornaram parte da cultura regional, além de um elemento importante para a economia do país.

Uma curiosidade com relação a esse rótulo é que ele foi a primeira bebida produzida em solo lusitano exportado para outros países, tendo o seu principal comprador, a Inglaterra.

Ele só existe em Portugal ou também em mais lugares do mundo?

O verdadeiro vinho verde só é produzido em Portugal, tanto que o país chegou a demarcar uma área exclusiva para a fabricação dessa bebida.

Ela é dividida em 6 sub-regiões:

– Penafiel;
– Monção;
– Lima;
– Basto;
– Braga;
– Amarante.

Essa demarcação ocorreu em 1908 e se mantém até os dias de hoje.

Qual é a história do vinho verde?

Em 1908, a região de Minho, local onde é produzido, foi demarcado como área para uso exclusivo de produção dessa bebida. Mas foi só em 1950 que o nome foi aceito pela Organização Internacional do Vinho.

Vinte anos depois, em 1970, ele foi registrado pela Organização Mundial da Propriedade Industrial, o que deu à região de Minho exclusividade para o uso dessa nomenclatura.

Um outro fator que contribuiu muito para a região se destacar e crescer foi que em 1926, durante o golpe militar que aconteceu em Portugal, era criada a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) e com isso a região ganhou mais incentivos para manter, ampliar e aprimorar a produção.

Quais são as características?

Esta bebida nada mais é que um rótulo que passa por um curto processo de maturação das uvas – e é por este motivo que ele leva esse nome -, além de passar pouquíssimo tempo em armazenamento antes de ir para a tarefa.

O resultado desse processo é um vinho com um alto nível de acidez, baixo teor alcoólico, quantidade elevada de ácido málico e quase nada de açúcar, proporcionando uma bebida leve, fresca e com muito sabor.

É um rótulo que não tem um bom potencial de guarda, ele deve ser consumido entre dois a três anos após a compra da garrafa. Por outro lado, é aquele vinho perfeito para te acompanhar nos dias mais quentes, já que ele deve ser servido bem gelado, em torno de 8 graus.

Apesar de alguns especialistas acreditarem que o vinho verde leve esse nome por conta da maturação breve das uvas, outros acreditam que, na verdade, a nomenclatura advém da região onde ele é produzido. Minho é um local com muito arborizado.

É um blend de uvas?

Sim, esta maravilhosa bebida é um blend de uvas, ou seja, leva vários tipos diferentes da fruta em sua composição. Ao todo, cerca de 47 variações – todas portuguesas, é claro – são permitidas neste rótulo. As mais comuns são:

– Arinto;
– Alvarinho;
– Azal;
– Avesso;
– Fernão Pires;
– Loureiro;
– Trajadura.

Apesar disso, alguns enólogos tentam fazer vinhos verdes com uma única uva, um monovarietal. Para isso, eles têm usado a Loureiro e a Alvarinho, com ambas dando excelentes resultados.

Quando feito com uma única espécie de uva, essa bebida muda drasticamente, principalmente no potencial de guarda, que já comentamos antes. O rótulo comum não tem esse potencial todo, já um feito com uma única casta respondeu bem ao envelhecimento em carvalho, resultando em um produto com bastante caráter e complexidade.

Contudo, mesmo com resultados tão positivos, ainda é difícil achar um vinho verde com uma única casta em sua composição, e isso tem uma explicação. Por ser uma bebida jovem e de rápida fabricação, os produtores acabam sendo pressionados pelos importadores, que querem que este seja engarrafado logo após a colheita, que costuma acontecer na primavera.

Por conta disso, estes comerciantes não conseguem segurar o vinho a tempo dele envelhecer. Mas acredita-se que esse seja um cenário que deve mudar nos próximos anos. De qualquer forma, se você estiver a passeio em Portugal, não deixe de procurar por um vinho verde monovarietal com Loureiro e Alvarinho, vai valer a experiência.

Quais são os tipos de vinho verde?

Como assim ele tem outras variações? Pois é, apesar do nome, ele tem rótulo tinto, branco, rosés e até espumante. Mas, claro, as uvas utilizadas fazem parte daquelas liberadas para a produção do vinho verde.

Tinto

Claro que não poderia faltar um bom e velho tinto entre as opções. De coloração intensa, ele é feito com essas uvas e pode apresentar uma espuma vermelha ou rosada.

O destaque no seu aroma fica para o toque de frutos silvestres. Além disso, ele conta com todas as características de um bom vinho português: acidez marcante e um frescor forte, tanto no aroma, quanto no paladar.

O vinho verde tinto é uma bebida muito usada na gastronomia. Por conta disso, ele serve tanto para harmonizar quanto para ser usado em diversas receitas.

As uvas mais usadas para esse rótulo são:

– Borraçal;
– Amaral;
– Espadeiro.

Branco

Dentre as possibilidades com as uvas usadas no vinho verde, está o branco. Essa bebida detém uma cor que varia de palha até citrino.

Costuma ser um rótulo com bastante acidez, mas que é, ao mesmo tempo, delicada. No paladar se mostra bem harmonioso e tem uma forte intensidade no aroma, que traz notas de flores e frutos. Essas duas características deixam o vinho bem fresco na boca.

Rosé

Para os rosés feitos com uvas usadas neste produto, a sua maior característica é a cor, que pode ir de um rosa mais claro até um tom mais carregado. Ele se mostra como uma bebida de aromas jovens, que, aliás, é a maior qualidade desse rótulo.

Este traz notas de frutas vermelhas. Já no paladar é persistente e fresco. Ele pode ser uma surpresa mesmo para aqueles que têm o costume de consumir rosé com bastante frequência.

A uva mais usada para a fabricação desse rótulo é a Touriga Nacional.

Espumante

Além do tinto, branco e rosé, você também pode provar na versão espumante. Assim como os demais, tem o frescor característico das bebidas portuguesas, mas no espumante esse ponto fica ainda mais evidenciado por conta da temperatura que a bebida deve ser servida, ou seja, bem gelado.

O que vai variar neste rótulo, por conta dos diferentes níveis de açúcar em cada garrafa, é a doçura do vinho.

Como harmonizar?

A primeira coisa que você deve ter em mente na hora da harmonização da comida com o vinho verde é com relação a sua temperatura. É muito importante que ele seja servido bem gelado, isso porque trata-se de uma bebida bem ácida, e a acidez dele se torna mais refrescante em baixas temperaturas.

Caso você não siga essa recomendação, tudo o que você vai conseguir é um vinho super pungente. Tem gente que até gosta assim, mas não é o ideal.

Dito isso, o segredo para conseguir a harmonização perfeita com esse rótulo é valorizando suas características naturais. Ou seja, um vinho bem ácido e fresco cai bem com peixes de água salgada, assim como frutos do mar.

E obviamente que ele fica ainda melhor acompanhando pratos portugueses. Sendo assim, você pode apostar sem medo numa harmonização com bacalhau, saladas refrescantes, risoto de frutos do mar e até mesmo um suflê de salmão.

Se você come comida orientais, você acaba de achar o seu companheiro perfeito para acompanhar esses pratos. A versão branco combina com sashimi, sushi e pratos feitos com polvo, onde o sabor deste ganha destaque por conta da acidez presente na bebida.

Já para o rosé, por exemplo, o ideal é você apostar em embutidos, caldeiradas e carpaccio, isso porque este é uma bebida mais encorpada, então vai bem com pratos com a mesma característica.

O tinto pode ser seu acompanhamento em receitas mais pesadas e gordurosas, como feijoada, galinhada, arroz de pato e leitão assado.

Conclusão

Seja pelo processo de maturação prematura ou pelo local com vastas paisagens verdes, vale muito a pena experimentar esta bebida de Portugal. Primeiro de tudo é que você estará provando basicamente uma variedade única do país, além de degustar um vinho de altíssima qualidade.

O melhor de tudo é que, além de um vinho novo pra você provar, você acaba de encontrar o seu par perfeito para acompanhar comidas orientais e a boa e velha feijoada. Isso, por si só, já fez valer a pena provar essa bebida portuguesa.

Referências:

https://vinepair.com/wine-blog/7-things-you-need-to-know-about-vinho-verde/

https://www.atthetap.com/blog/what-green-wine

https://www.masterclass.com/articles/what-is-vinho-verde#what-is-vinho-verde

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